Caleidoscópio: possibilidades de refletir sobre as construções da clínica

Texto produzido por Caroline Roveda, psicóloga e psicanalista, participante do grupo de trabalho "Construções Clínicas", que articula conceitos debatidos com sua prática clínica.

CONSTRUÇÕES CLÍNICAS

Caroline Roveda

3/14/202615 min read

Falar que a psicanálise é uma experiência parece algo reducionista demais para a dimensão do que é a práxis neste campo do saber. Um campo ao qual não se é possível apreender - apenas - pelo estudo da teoria e reflexões sobre cada caso, mas principalmente pela travessia de um processo próprio de análise. Passar pelo divã é deixar-se ser afetado e permitir a partir disso adentrar lugares em si mesmo antes inimagináveis além de surpreender-se - nem sempre positivamente. O divã nos convida a escrever uma história com mais autoria, ainda que nela algumas cenas e movimentos sejam bastante conhecidos.

Um convite à escrita, seja no divã seja enquanto agente operador da psicanálise, é mobilizadora pois toca na condição de não saber, e convenhamos, essa não é a posição mais confortável que existe. Por vezes não saber como começar, depois não saber por onde conduzir, não saber como será o resultado final, não saber o que o outro lerá do que escrevemos. O não saber pode angustiar mas também pode abrir um espaço. É agradável pensar nesse espaço como um grande campo de areia que apresenta um convite para deixar marcas, usar a criatividade e usufruir dela assim como ela vem, inspirando o novo.

Sendo assim e fazendo jus ao convite-proposta do Grupo de Trabalho realizado durante o ano de 2025 que teve como eixo norteador a questão sobre como construir um caso clínico, com entusiasmo e não sem certa dose de apreensão, tecerei alguns comentários sobre as ressonâncias que se deram e como elas atravessaram o meu processo de escrita - da vida e da clínica - já que ambas são indissociáveis.

Meira (2023) diz que “fazemos uso na escrita da mesma técnica que oferecemos na análise”, ou seja, da associação livre. Dentro deste contexto a autora destaca o quão mais simples pode ser escrever sobre um caso que está indo “de vento em popa”, quando a teoria cai como uma luva e ali estamos dentro de uma área segura para transitar. Mas o que a escrita em psicanálise propõe? Segundo a autora, “o que nos mobiliza para a escrita do caso não é aquilo que conhecemos dele, mas aquilo que resiste ao nosso saber, o que não sabemos sobre ele.” Eis o desafio e uma escolha a ser feita: seguir em frente topando expor justamente o que nos falta. Narcisismo que se segure!

Ao observar o processo de criação da teoria de Freud, sua investigação com a escrita poética e seu desejo de que a psicanálise fosse levada adiante o autor assume uma postura faltante que ensina uma lição muito valiosa em tempos onde há gurus em praticamente todas as áreas do conhecimento. Indo para a finalização de um de seus trabalhos, diz: “Os senhores dirão que falei muito mais de fantasias do que do poeta, do que previra no título de minha palestra. Sei disso e peço desculpas tendo em vista o estado atual do nosso conhecimento.” É nesta obra que o autor faz um paralelo curioso e bonito, quando compara o poeta a uma criança que brinca. À medida em que vamos crescendo, somos forçados a abandonar as brincadeiras infantis para dar conta de viver num mundo mais sério com direitos e deveres, mas “quem conhece a vida psíquica das pessoas sabe que nada é mais difícil do que renunciar a um prazer conhecido.”(Freud, 1908)

Ao nos tornarmos adultos vamos enrijecendo padrões e idealizando nossas posições na vida muito mais do que deveríamos. Poder conservar a seriedade com que levávamos nossas brincadeiras infantis e atingir um patamar onde haja um pouco menos de pressão, seja através do humor, seja através de devaneios necessários a um cotidiano tão cheio de imperativos é uma das boas formas de não abrir mão de um prazer que um dia já nos foi tão caro.

Levar uma vida com mais leveza tem seus efeitos, sendo que um deles pode ser justamente o de ganhar “olhos de poeta”. A este respeito, Alves (1999) aponta que:

“A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.” (ALVES, 1999)

Inicio portanto as reflexões sobre a prática clínica fazendo uma ode a estes pequenos seres que me ensinam e inspiram a olhar pra vida com os olhos da caixa de brinquedos. É através dessa persona brincante que o caminho para baixar tanto quanto possível da exigência interna se torna viável e assim se abre espaço para uma das principais condições que segundo Meira (2023), favorecem a escrita: a liberdade. “É ela - a liberdade - que nos fornecerá condições primordiais para a “criação criativa”, redundância para marcar bem a necessidade de a produção ser forjada como uma obra com a cor, o tom, a voz e o sangue de quem a redigiu”.

A clínica com crianças em grande parte das vezes é tomada - erroneamente, adianto - como uma clínica mais “fácil”. Lugar privilegiado para a criatividade e a ludicidade, a clínica que atravessa a infância convoca o analista a sustentar uma posição ética ao mesmo tempo que brincante sem perder o rigor.

Winnicott (1975) frisa que “a psicoterapia ocorre na intersecção entre duas áreas do brincar: a do paciente e a do terapeuta. (...) O corolário disso é que, quando essa brincadeira não é possível, o trabalho do terapeuta consiste em retirar o paciente de um estado marcado pela incapacidade de brincar e trazê-lo para um estado em que consegue fazê-lo”. De acordo com o autor, a criatividade está ligada a uma posição saudável diante da vida fazendo oposição com a submissão que estaria ligada portanto, ao adoecimento. A este respeito, diz que “cruelmente, muitos indivíduos experimentam apenas o suficiente da vida criativa para reconhecer que, na maior parte do tempo, vivem de maneira não criativa, como se estivessem presos na criatividade de outra pessoa ou de uma máquina.”

A clínica com sujeitos em constituição deverá ser operada a partir de um outro lugar, diferente do que é com sujeitos já constituídos. Pensar o ato analítico dentro deste contexto é um desafio, há que ser feito um cálculo considerando as estruturas clínicas e o tempo lógico do paciente. Sobre este ponto, Coletti e Marini (2025) colocam que o lugar do analista será de acordo com a fase em que o infans está localizado. “Com bebês, a leitura é realizada a partir da relação com o Outro. (...) Já na fase edípica, o analista ocupa o lugar do Outro, fazendo semblante de alteridade paterna, ocupando o lugar Simbólico que representa a Lei. Com as crianças na fase de latência, é tomado o lugar de mestre (...) o qual passa a ser colocado, diferindo muito de ocupar de fato o lugar.”

A posição do analista com a criança é tão importante quanto a consideração atenta e necessária à estrutura que o sujeito que chega para atendimento está. Há uma tendência a interpretar a clínica através das lentes da neurose, um reducionismo teórico que pode trazer consequências importantes para o paciente caso não haja cuidado nesta avaliação. Para pacientes psicóticos, por exemplo, o ato deve ser “pensado na construção de uma borda que lhe possibilite circular pela vida.” Já com sujeitos autistas “preserva-se a borda, mas tenta-se ampliá-la.” (Marini e Coletti, 2025).

Conforme as autoras, na infância o ato analítico não será no sentido de corte como é para o adulto, mas sim no sentido de costura, acompanhando a fase de desenvolvimento em que a criança se apresenta: “o ato se caracteriza por suscitar no sujeito um novo desejo”, sendo que “a palavra do analista é o verbo que pode conduzir à ação.”.

Neste ponto talvez seja possível exemplificar algo disso através do atendimento a uma pequena de 8 anos que chega ao consultório falada pela mãe. Esta traz certa preocupação com rompantes de raiva que incluem autolesão e ansiedade elevada apesar de ser uma menina amorosa. Ao recebê-la no consultório pela primeira vez, é notório seu humor deprimido e a apatia dentro de um ambiente convidativo ao brincar. Na sessão em questão, ela não se levanta da poltrona que há na sala para explorar o que quer que seja, mas vasculha o ambiente com olhos. Após alguns silêncios, a analista faz uma aposta através de uma fala que demonstra seu interesse em atendê-la, nomeia a tristeza e a solidão que está posta e expressa que ela não precisa passar por isso sozinha. Ao retornar na outra semana, surge o interesse na paciente pela massinha de modelar e a sua primeira produção é uma boneca, com a especificidade de ter corpo - sem braços e pernas - e cabeça apenas com olhos. Na sessão seguinte, justificando que a boneca anterior precisava de uma amiga, modela outra, desta vez com todas as características da primeira mas com o acréscimo de um furo, uma boca. A produção de bonecas se segue nas sessões seguintes, sem braços e pernas mas agora com bocas, olhos e antenas. Numa das primeiras sessões em que a massinha não foi o foco principal, a paciente pegou um boneco estilo “João Bobo” e passou a maior parte da sessão desferindo socos e chutes no mesmo, imobilizando-o contra o chão ao ver que ele se levantava ao ser deixado.

Ao final das primeiras sessões, quando a mãe solicitava à paciente que se despedisse, esta se aproximava da analista sem levantar os braços, se virava de costas e encostava seu pequeno corpo ao da analista como que à espera de um outro toque. Após quase um ano de trabalho, a paciente surpreende ao caminhar até a analista com os braços abertos e erguidos, ainda que fosse para amolecer seu corpo enquanto se segurava e era segurada. A informação vinda posteriormente ao longo do tratamento de que uma das formas carinhosas pela qual a paciente era nomeada em seu núcleo familiar era “minha boneca” abriu um campo importante de compreensão sobre o caso.

Coletti e Marini (2025) apontam que “o ato do analista na análise com crianças, visa emprestar seu corpo, seu desejo e suas palavras como anteparo naquilo que demonstra fragilidade na constituição do sujeito no laço com o Outro”. Quando o saber parental é substituído pelo silêncio, a ausência de palavras afeta a criança nos três registros: “O Real - que afeta o corpo; o Simbólico - a criança passa a não ser considerada um sujeito capaz de compreensão; o Imaginário - que precisa do Real e do Simbólico para que os pais façam antecipações funcionais e que projetem um saber a ser conquistado pela criança.”. Fazer a aposta que um sujeito inicialmente sem mobilidade, mas atento ao que se passa ao redor possa voltar a se movimentar na vida e prosseguir com a construção do saber sobre si, sobre a sua história e sobre o lugar que ocupa na família é o ponto que poderá a vir a dar a base necessária à continuidade do enodamento dos três registros já que “o ato do analista é a sustentação do enodamento de um brincar simbólico que ressoa no Real e no Imaginário.”.

Após um tempo de análise, a menina já apresentava conquistas importantes em seu desenvolvimento, podendo não apenas despejar sua agressividade naquele ambiente seguro, mas também testar alguns limites não só ali como na escola. Em reunião com as professoras e a pedagoga responsável, esta última falava sobre a história difícil da menina, sobre a tristeza notória por vezes e sobre a recusa frente às tarefas e atividades propostas que, em detrimento do acompanhamento a longo prazo, a medida da exigência era diferente para ela do que para os demais alunos.

Colleti e Marini (2025) num jogo com as palavras, descrevem que no adulto “o inconsciente é um saber que auxilia o sujeito a ser decifrado, na análise com crianças a condução deve ser no sentido de cifrar o sujeito ($), conduzindo-o à castração (...)”. Frente a pergunta da analista do por quê haviam tantas concessões para a menina, a resposta veio em forma de pergunta: “Mas a gente pode exigir mais dela e dar um limite mais firme? Ela não vai quebrar?”. Não. Ela não iria mais quebrar pois um dos efeitos de sua análise foi fazer emergir o movimento e a flexibilidade para o que antes era imobilidade.

Para que o sujeito possa passar de espectador para ator - como na brincadeira com o “João Bobo” - e então chegar a um processo de autoria na própria história, é necessário que numa fase pregressa, ele seja falado, seja suposto. Para além de ser olhado é necessário que o bebê seja visto. É o Outro primordial que dará ao pequeno ser continência, como quando ao ter seu pequeno corpo todo envolto por uma borda, o que é parte se soma e se torna um.

Como afirma Iaconelli (2021) “existe uma diferença entre a reprodução de corpos e a reprodução de sujeitos”. Ao falar sobre as condições para a constituição subjetiva destaca que a violência da interpretação, conceito da psicanalista Piera Aulagnier, é necessária. Quando o bebê chora, é preciso que o adulto decida do quê é aquele choro. A suposição do sujeito é uma função tão fundamental que sem ela, o bebê humano pode não sobreviver.

Neste sentido, a subversão libidinal, termo cunhado por Dejours (1989/1991), do corpo biológico para o corpo erógeno, tem como condição a presença de um outro humano. Volich (2016) explicita que: “ela corresponde ao processo por meio do qual a fisiologia e a anatomia reais, presentes no nascimento, podem ser transcendidas para a constituição psíquica e imaginária, na qual o desejo pode ter primazia sobre a necessidade.”.

É através dessa operação tão delicada e fundante, que algo começa a se estruturar. São as interações permeadas por palavras que unificam a experiência corpórea do bebê através do encontro com a sua imagem passando assim de “corpo espedaçado (...) para corpo próprio” (JORGE, 2020).

As questões que dizem respeito ao corpo e a forma como cada um o experimenta estão presentes desde os primórdios da vida humana e a acompanham de maneira muito íntima. O real do corpo se impõe de um jeito bastante crucial para alguns sujeitos e a relação que cada um irá estabelecer nesse sentido é permeada por uma multiplicidade de fatores. O espectro destes fatores contém uma amplitude muito particular em cada caso, mas perpassa a forma como o bebê foi cuidado extra-útero até a relação dos cuidadores do bebê com seus próprios corpos. É o efeito destes fatores e como eles afetam o sujeito que tem chegado cada vez mais no fazer clínico atual em forma de questionamentos profundos em relação a quem se é e o que se é possível fazer com os restos que ficam dos atravessamentos oriundos das relações que se estabelecem ao longo da vida, mas que tem início naquele tempo que não é assim, tão tão distante.

Mariotto (2018) aponta que “a difícil tarefa de se tornar um sujeito se encontra com a árdua tarefa de construir um.”. Para além dos cuidados básicos necessários que tocam o corpo, as palavras do adulto são como marcas que a criança carrega para a vida, marcas que traumatizam mas que “sem essa operação traumatizante, a criança seria conduzida a uma espécie de limbo simbólico ao preço de uma liberdade sem fim, em que diferença e alteridade ficam excluídas das engrenagens psíquicas do candidato a sujeito”.

Nesse ponto é possível localizar uma grande dificuldade dos pais hoje em personificar a lei, marcar proibições e assim assumir um papel norteador na vida da criança. Há um movimento de recuo nesse sentido ao mesmo tempo que se sobrepõe um “apelo” dos pais para a criança que entra como um imperativo: “seja feliz”. Há algumas décadas atrás os imperativos eram: você será médico, advogado, engenheiro, empresário. Todas posições possíveis de serem atingidas. Foi possível observar centenas de pessoas que seguiram um determinado caminho para depois abandoná-lo, como também se observou outras tantas que fizeram uma clara oposição à regra e foram inventar outro modo de viver. Mas como faz pra conseguir o diploma da felicidade?

Quando se trata das questões relativas à sexualidade, gênero e as diversas formas de estar no mundo, “ser feliz” para alguns pais é sinônimo de poder de escolha. Neste sentido, o tema da autonomia que muito se escuta nos processos educativos, ganha uma proporção que extrapola alguns parâmetros das necessidades da infância.

Neste sentido o queer parenting ganha destaque. É a possibilidade de criar filhos sem os estereótipos de gênero, visando uma certa neutralidade para que em momento oportuno eles possam escolher seu próprio gênero. Ao tratar deste assunto, Teixeira (2010) diz que independente da corrente psicanalítica todas concordam que “a identidade sexual jamais é resultado de uma escolha consciente, mas algo que o sujeito se dá conta sem ser capaz de definir como ela se constituiu.” Sendo assim, é possível corroborar com Mariotto (2018) quando aponta que “a sexualidade é para todo e qualquer sujeito um transtorno.”.

A pressa por respostas às angústias próprias da vida humana é um sintoma bem presente na cultura. Há uma tentativa de eliminação a qualquer custo do mal-estar, o que monta um cenário propício para, por exemplo, a proliferação crescente de diagnósticos. Dar um nome ao sofrimento, à questão, apazigua. Em ambos os exemplos, é possível a observação de uma lógica de consumo na esfera da subjetividade.

Como aponta Gueller (2018) “por se sentir incompleta, desde muito cedo a criança busca ativamente marcas que lhe sirvam de orientação. Oferecê-las não implica um carimbo determinista como pensam alguns pais e professores, mas lhe permite situar-se para dizer sim ou não”.

Tão importante quanto o processo de alienação ao Outro é o de separação. De acordo com Iaconelli (2018) a base da função parental é “oferecer à criança os recursos que lhe permitam ultrapassar o ambiente familiar em direção ao mundo e o desejo parental em direção à assunção do seu desejo singular.” Dentre estes recursos está o espaço privilegiado do faz de conta. Quando a criança dá asas à imaginação através das fantasias que cria, ela pode fazer as experimentações necessárias à sua investigação de vida para assim criar as suas teorias sobre como funciona o mundo e qual lugar que ocupa nele.

A pedagoga Maria Adélia Pereira em sua participação num dos documentários mais belos que já foram produzidos, diz que “olhar uma criança brincando é reaprender a dimensão do humano” e na mesma obra, o artesão Helio Leites ao mostrar uma de suas miniaturas sublinha: “um santo remédio (...) se chama tarja branca. É a medicina psico-lúdica. Esse aqui é o remédio do futuro. No futuro o remédio não vai entrar pela boca, vai entrar pela orelha, é a palavra que vai consertar as pessoas.”

Construir a si mesmo, buscar respostas para perguntas existenciais é um processo demorado, trabalhoso e sofrido, mas que vale a pena começar. São justamente esses questionamentos, nossas infindáveis contradições e o caminho que trilhamos nessa procura que pode abrir um campo para a criação de respostas com um toque de novidade. O sentido da vida talvez esteja justamente no que fazemos com ela durante a travessia. Como diz o jagunço “viver é muito perigoso” mas “o que a vida quer da gente, é coragem”. (Rosa, 2006).

REFERÊNCIAS

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DEJOURS, Christophe. Psicossomática e teoria do corpo. São Paulo: Edgard Blücher, 2019.

FREUD, Sigmund. O poeta e o fantasiar (1908). Belo Horizonte: Autêntica, 2015.

GUELLER, Adela Judith Stoppel de. Entre o sujeito e o Outro, de quem é o corpo? In: MARIOTTO, Rosa Maria Marini (org.). Gênero e sexualidade na infância e adolescência: reflexões psicanalíticas. Salvador: Agalma, 2018. p. 189-210.

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IACONELLI, Vera. Psicanálise e parentalidade hoje. Curso online. São Paulo: Casa do Saber, 2023. Disponível em: https://casadosaber.com.br/. Acesso em: 19 fev. 2026.

JORGE, Marco Antônio Coutinho. Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan – Vol. 1: As bases conceituais. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

MARIOTTO, Rosa Maria Marini. Da psiquiatria à psicanálise: uma investigação histórica sobre os estudos de gênero na infância e adolescência. In: MARIOTTO, Rosa Maria Marini (org.). Gênero e sexualidade na infância e adolescência: reflexões psicanalíticas. Salvador: Agalma, 2018. p. 15-35.

MARINI, Coletti. Ato analítico na análise com crianças: um trabalho de corte ou costura? APC em Revista, Curitiba, n. 40, p. 85-92, 2025.

MEIRA, Ana Cláudia dos Santos. A escrita científica no divã: entre as possibilidades e as dificuldades para com o escrever. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2023.

MORAES, Vinícius. O operário em construção. In: MORAES, Vinícius. Antologia poética. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora do autor, 1960. p. 305-311.

ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

TARJA BRANCA – A revolução que faltava. Direção: Cacau Rhoden. Produção: Instituto Alana. São Paulo: Maria Farinha Filmes, 2014. Documentário (79 min).

TEIXEIRA, Marcus do Rio. Aportes teóricos para um estudo sobre sexo, gênero e gozo na psicanálise. In: MARIOTTO, Rosa Maria Marini (org.). Gênero e sexualidade na infância e adolescência: reflexões psicanalíticas. Salvador: Agalma, 2018. p. 51-71.

VOLICH, Rubens Marcelo. Nomear, subverter, organizar: o corpo na clínica psicanalítica. Revista Brasileira de Psicanálise, São Paulo, v. 50, n. 2, p. 133-150, abr./jun. 2016.

WINNICOTT, Donald W. O brincar e a realidade. São Paulo: UBU Editora, 2019.

“...Mas ele desconhecia

Esse fato extraordinário:

Que o operário faz a coisa

E a coisa faz o operário.”

Vinicius de Moraes